segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sua Ilusão



Sua Ilusão
(Argentino Vidal)

Não vejo mais motivos pra esse seu jeito
Complicado de gostar
Se um dia você chega e desalinha meus sentidos
No outro você encontra meios pra me magoar

Não quero mais motivos pra me enganar
Prefiro reviver somente nossos bons momentos
Aqueles que eu guardei como inesquecíveis
Que por poucos dias me fizeram mais feliz

Não vejo mais motivos pra viver
Somente o meu sonhar
Se eu amanheço com um lindo sonho magistral
E anoiteço um pesadelo de um sonho irreal.

Chega, procure seu caminho no destino já traçado
Encontre sua paz na ilusão de suas glórias
Se seu fetiche incompreensível te faz bem assim


Este poema foi publicado em "As mais belas poesias de amor", pela CBJE em maio de 2010

domingo, 18 de abril de 2010

Minha Terra Mineira


Minha terra mineira
(Argentino Vidal)

Eu nasci na terra do ouro
Das esmeraldas e diamantes
Do minério vermelho do ferro
De tantas minas contidas
De tantas Minas Gerais

Eu nasci de gente guerreira
De ideais inconfidentes
Sonhadores libertários
Da conquista do ventre da terra
Do nosso solo mineiro

Eu nasci da cultura barroca
De cidades de muitas histórias
Com seus artesões e poemas
Do Congado e Folia de Reis
E das Festas do Divino.

Eu nasci do fogão à lenha
Do tropeiro e da pururuca
Das fazendas de carros de bois
Do puro café e leite
Das goiabadas com queijo

Eu nasci nas terras de Minas
Das montanhas soberanas
Das cachoeiras cristalinas
De gente hospitaleira.
De gente cosmopolita
De sotaque bem roceiro
Com seus trens e muitos uais.

Bão demais da conta sô...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Cotidiano


Cotidiano
(Argentino Vidal)

Levanta já atrasado
Pra mais um dia da lida
Ajeita o esqueleto no corpo
De uma noite mal dormida
Calça a butina surrada
Enfia a roupa amassada
Toma o café requentado
E ainda mal comido
Sai do barraco apressado
E ainda são seis da matina

Lotada a estação te espera
Pendura no estribo do trem
E ainda rola um cochilo
De um lado pesa a marmita
De uma parca comida
Do outro guarda no bolso
O troco medido da volta
Mas logo o apito e a parada
Desperta teu sono pra vida

Vai trabalhar homem......
Espera-te ansioso o patrão
Que logo vem com o sermão
Ta atrasado de novo?
Já cheio o carrinho de brita
Espera-te à mistura pesada
No concreto de areia e cimento
Para cumprir a corrida diária
De uma rotina sem fim.

A tarde chega enfim
De volta pra cheia estação
Pendura de novo no estribo
Com as mãos calejadas doidas.
Rola de novo um cochilo.
De um lado a marmita vazia
Sobrou dela somente uma azia
Por ter comido ela fria
Do outro no bolso o troco pra pinga
Já noite tonto, chega ao barraco
Pendura a roupa fedida
Tira a butina apertada
Ajeita o esqueleto na cama
Pro outro dia de novo
Tudo recomeçar.
Eta vida danada, dorme ele.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Nosso Jantar à Luz de Velas



Nosso Jantar à Luz de Velas
(Argentino Vidal)

Preparei aquela noite especial
A meia luz na sala em luz de velas
Um bom vinho resfriava ali na mesa
Junto com talheres dispostos à etiqueta
No centro dois botões de rosas destacavam
Um amarelo outro vermelho lado a lado.
Insinuando meu desejo e minha paixão

Pus no ar a meio tom uma música suave
Já propositadamente perfumado de essências florais

Aí chega você ainda mais linda do que sempre
Em sua boca brilhava um batom rubi
Seu vestido realçava sua linda silhueta
E o decote provocava ainda mais o meu frisson
Falamos vagas palavras sem importância
Mas nossas mãos e nossos olhares fitados
Podiam declarar mais que mil palavras

Suavemente ainda arriscamos um bolero à bandoneon
Pude então sentir ainda mais o seu perfume e seu calor

Neste instante o sabor de vinho da minha boca
Misturava ao gosto de batom de seus macios lábios
Pouco a pouco nossas roupas antes refinadas
Eram deixadas uma a uma ali no chão
Nossas mãos se enchiam de afeto e de ternura
Então nosso amor era magicamente declarado
Entre as almofadas do velho sofá da minha sala
Naquele nosso primeiro jantar à luz de velas.



Este poema foi publicado em "Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâreos" Vol.63 da Editora CBJE (RJ), no dia 20/02/2010


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Quantas Vezes


Quantas Vezes
(Argentino Vidal)

Quantas vezes tentei colocar
As cores do meu mundo
No apagado mundo seu

Quantas vezes tentei colocar
O encanto dos meus olhos
Nos dispersos olhos seus

Quantas vezes tentei subornar
A impaciência da minha alma
Com a paciente calma tua

Quanto tempo eu perdi
Porque será que eu me iludi.

Crepúsculo em BH



Crepúsculo em BH
(Argentino Vidal)

Parei à tarde para ver o por do sol
Ver no horizonte sobre tons em tons vermelho
O azul marinho migrando ao tornassol
Penumbrando meu olhar maravilhado

Ao longe o contorno da cidade realçava
Contrastando os rochedos salientes
Reforçando divina força criadora
Num bucólico entardecer, Belo Horizonte.

Nesta hora o perfume manacá já exalava
Ecoava ao longe Ave Maria de Gûnot
Perfeita harmonia da matéria e alma
Sublime equilíbrio vespertino

Fiquei ali parado na magia do momento
Remontando em minha mente quadro a quadro
Pro meu painel de arte, meu crepúsculo.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Amo-te


Amo-te
(Argentino Vidal)

Amanheci inspirado
Completamente apaixonado
Pensei dar-te uma dúzia de rosas
Vermelhas
Mas se são rosas por que vermelhas?

Acho que vou fazer-te um poema
Não sei se bem carinhoso
Poema que fale de amor
Não sei se mais sem pudor
Daqueles bem calientes.
Pra minha paixão demonstrar

Pensando bem, melhor será
Fazer um cesto bem venusiano
Colocar nele um belo poema lírico
Outro mais despudorado, safado.
Um belo arranjo de rosas carmim
Uma garrafa de vinho Sauvignon
Um bilhete bem perfumado
Depois dizer bem ao seu ouvido
Amo-te muito
Meu amor.


Este poema foi publicado em "Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâreos" Vol.62 da Editora CBJE (RJ), no dia 23/01/2010, entre mais de 3000 inscritos



terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Devaneios Meus


Devaneios Meus
(Argentino Vidal)

Venha comigo no meu sonho louco
Contracenar com a minha ilusão
Sentir no coração o calor do corpo
Queimar na alma a chama da paixão.

Venha curtir as minhas fantasias
Viver comigo os devaneios meus
Romper o medo nossas paranóias.
Incontrolar desejos tão contidos.

Quero sentir teu corpo teu perfume
Quero afogar no mar do teu prazer
Trocar murmúrios falar confidências.
Ultrapassar o limite do meu ser.

Quero sentir teu corpo junto ao meu
Quero afogar nos doces beijos teus.
Falar contigo coisas irreais.

Quero sentir meu corpo junto ao teu
Embriagar nos loucos sonhos meus
Ouvir de ti palavras irreais.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Andança



Andança
(Argentino Vidal)

Andando pelas ruas da cidade
Vi crianças entorpecendo seus destinos
Enquanto eu revelava o meu medo incoerente
Elas revelavam nosso abandono desumano

Os vi dormindo pelas frias noites nas calçadas
Ou nas escadarias das catedrais santificadas
Pois onde antes seus pomposos adros davam abrigos
Hoje se tornaram locais sagrados gradeados.

Lá o amor de Cristo tão pregado não é pra todos.
Preferem não olhar pra estes esquecidos
Lá onde os reis da terra serão eternos
Só por cuspirem palavras ritmadas tão divinas

Eu vi meninas vendendo sua essência
Na luta mercenária da sobrevivência
Pois enquanto muitos vivem aqui o paraíso
Outros comem seus restos apodrecidos

Eu vi mendigos implorando compaixão
Empunhando seu pedido por um pão
Pois enquanto uns temperam seu salmão
Outros vivem apenas do que caiu do chão

Eu vi mendigos arrastando seu quinhão
Empilhando restos velhos descartáveis.
Enquanto temos nossas vidas confortáveis
Pra eles ela pregou um papelão.

Por que não podemos dividir um pouco mais?
Por que será que somos assim tão egoístas?
Precisamos urgentemente irmanar um pouco mais?
Em vez de só cuspirmos palavras ritmadas tão divinas
Antes que seja tarde, tarde demais.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Negro e Branco




Negro e Branco
(Argentino Vidal)

Pus na terra vários seres
Cada qual com seu encanto
Muitos com muitas cores
Outros, porém nem tanto.

Variados minerais
Verdes, vermelhos, azuis, amarelos.
Multicoloridos, brancos e pretos.
Outros translúcidos cristalinos.

Pus nas aves penugens multicores.
Com lindos cantos variados
Umas magistralmente flutuam nos ares
Outras desfilam na terra e alagados.

Nas frutas eu caprichei.
Fiz com todas as cores que tinha.
Acho até que exagerei.
No principal alimento da vida.

E as flores e plantas então.
Essas são minha obra prima
Contemplam minha emoção
Nos perfumes, cor e forma.

Meus bichos reclamar não podem.
Pois eles, lindamente pintei.
E pra este jardim do éden.
Suas formas eu mesclei

Todo esse colorido mundo então.
Juntos estão em harmonia perfeita.
Cada um com sua função.
No grande projeto da vida.

Fiz o ser maior de meus sonhos
Nele não me importei com as cores
Pois maior que formatos externos
Deixei a luz de seus poderes.

Já com minha aquarela sem tinta.
Misturei o meu resto de cores
Fazendo daquilo que tinha
Duas lindas tonalidades.

Externos são claros e negros
Pro cerne compus outras cores
Para que juntas de dourados
Colorissem a almas dos seres.

Porém no fundamento do mundo que fiz.
Não entenderam as maravilhas que usei.
Pois só se preocuparam neste matiz.
Nos da pele de claro e negro que pintei.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Cachaça e Poesia



Cachaça e Poesia
(Argentino Vidal)

Gotas doces do bagaço destilada
No fulgor do cobre é aromada
Purificado o sabor canavial
Nasce aguardente sem igual

No carvalho com o tempo toma cor
Realçando ainda mais o seu sabor
Seu buquê açucarado inconfundível
Torna-se um drinque irresistível

É bebida aguardente magistral
Genuinamente de origem nacional
Pode ser na caipirinha brasileira
Ou tomada naturalmente à mineira
Misturei assim na minha alquimia
Cachaça e Poesia

Este poema tem duas versões. Veja a outra no link "Cachaça Poesia"

Aqueles Momentos




Aqueles Momentos
(Argentino Vidal)

Não disse ao seu ouvido palavras de amor
Apenas despertei em ti momentos de volúpia
Senti na sua boca o licor da ansiedade
Tão presente naqueles tempos de nossa mocidade

Nossos copos de cerveja lado a lado ali na mesa
Aguardavam pacientemente próximo gole
Enquanto nossos corpos recostados olho a olho
Mixava o silêncio prazeroso do momento
Ao ruído efervescente noturno da cidade

Vi despertar em ti o gozo do prazer
Senti o coração bater na tua e na minha boca
Senti efervescer na alma algo inexplicável
Algo tão tangível realizável
Basta querer e ser querido

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Imensidão do Mar



Imensidão do Mar
(Argentino Vidal)

Sobre o mar altivo ao vento.
Deixei naufragar meu pensamento
Do meu mundo cruel, incompreendido.
No sabor das ondas dissolvido

Caminhei no curto tempo da esperança
Guardei de te o sonho da lembrança
Entre espadas de fogo que queimava
Causado pelo efeito que de ti me separava

Senti aos poucos tudo terminado
Tentei guardar este momento, congelado.
Vigiei teu sono, pouco adiantou.
Pois cedo, meu pranto te acordou

E agora ao ver a imensidão do mar
Perdido no vazio triste de minha alma
Suspiro esta angústia que nos fez parar.

Este poema foi classificado na publicação "Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâreos" Vol.58 da Editora CBJE (RJ), no dia 25/09/2009, entre mais de 5000 inscritos.

Calvário



Calvário
(Argentino Vidal)

Elevou-se ao ar ensangüentado
Crucificado no alto do calvário
Sob ardente sol aos poucos sufocado
No manto negro mortuário.

Gemidos soprados de vento forte
Quebravam prantos de amor perjuro
Que viam além da dor da morte
Imensa força de amor tão puro

Naquele cerne cedro cruzado
Em sacrifício cruel sem piedade
Um homem não mortal crucificado
Para redimir pra sempre a humanidade

E aos poucos horas do dia se passara
Mórbidos. Inocente vitimado
Deixado à morte que vencera
Estava tudo nesta hora consumado.

Este poema foi publicado em Poemas Dedicados da Editora CBJE (RJ),no dia 25/09/2009, dentre mais de 5000 inscritos.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Primeiro Ato



Primeiro Ato
(ArgentinoVidal)

Sinto na brisa do ar teu perfume doce.
Minha emoção de te ver já não se resume
O brilho de teus olhos me fascina.
O brilho de seus olhos me domina.

Nesta mistura que sinto de ternura e de desejo.
Não consigo medir qual mais almejo.
Perco-me em palavras previamente versadas.
Tropeço minhas pernas embriagadas.

Neste turbilhão que meus sentidos fluem.
Permito que teus passos me provoquem.
Enquanto vejo no teu rosto serenidade e calma.
Transpiro no meu corpo a agitação da alma.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

As Minhas Travessuras de Menino



Travessuras de Menino na Maria Fumaça
(Argentino Vidal)

De longe soa o apito
Da velha Maria Fumaça
Corre o moleque travesso
Lá pro fundo do seu quintal
Por onde ela vai passar

Ela passa de mansinho
Quase querendo parar
Ai o moleque travesso
Como gato agarra o estribo
Do último vagão a passar

De carona ao balaustre
Ergue seu corpo afora braço aberto
Gangorra de um lado pro outro
Para sentir bater o vento forte
Que sopra no rosto e arrefece a alma
E pra perigosamente deliciar
O néctar da sua travessura.

Nota- O trem é este mesmo da foto - hoje ele esta circulação somente entre Tiradentes e São João Del Rey. Mas antes passava no quintal da minha casa, 40 anos atrás, em Barbacena-MG.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Orvalho



Orvalho
(Argentino Vidal)

Junto ao meu caminhar molhado
Aquecendo meu corpo gelado
Trilhando sobre pedras salientes
Polidas pela ação do tempo
Na madrugada que repousa o vento
Sinto você do meu lado

E ao fim desta madrugada fria
Que me faz sentir um novo dia
Sepultando as doces gotas de orvalho
E no calor solar suave e brando
Surgem novos brados de bandos
De pessoas que caminham

Contemplada, partiu a madrugada.
Cheia de saudades que me agrada
Só por vigiar meu sossego
E ansioso espera-la próxima vinda
Chorando gotas de orvalho ainda
Pra novamente sentir você ao meu lado

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Olhai o Direito de Viver de Todos



Olhai o Direito de Viver de Todos
(Argentino Vidal)

Olhando o mundo sem nenhum apelo
Marcham exércitos desumanos
Seguindo o culto ao deus do século
Séqüitos instrumentos insanos
Bandos comandados a radar

Vão criando angústia com mãos de pedra
Suando gotas de sangue ferventes
Estilhaçando vidas almas pela metra
Restando somente aos inocentes
Morte, dores, eternas cicatrizes.

E na renúncia cega da vida alheia
Procuram levar seu mastro desfraldado
Fazendo suas armas de bateia
No garimpo do poder desmedido
Usam até núcleos radiativos.

E aos ombros dos grandes poderosos
Pesam sempre lucros econômicos
Comandando o mundo impiedosos.
Sem arrependimentos nem remorsos.
Pelas miseráveis vidas decepadas.

Lamentos se as trevas ouvissem
Talvez repugnassem e alegrariam
Pois se esta infernal vida sofressem.
Talvez comparada às trevas sentiriam.
Felizes por estarem em fornos pecadores.

Olhai o direito de viver de todos
Salvai desta contaminação que assola a terra.
Dos lucros com sangue inocente dotados
Trocando a violência ridícula da guerra.
Pelo amor, a paz que todos desejamos.

Este poema foi publicado em "Antologia dos Poetas Brasileiros" Vol. 57 em 26/08/2009