terça-feira, 29 de março de 2011
A Noite
A Noite
(Argentino Vidal)
Às vezes olhamos em noite o céu sem seu finito
Nem vemos o brilho das estrelas nele postas.
O salto das cadentes até passou despercebido
Deixando escapar de nossos olhos maravilhas.
Se, porém paramos mais atentos em contemplo
Podemos certamente deslumbrar-nos, firmamento.
Bebermos pacientemente em furto tempo.
Toda força desta divina arte em movimento.
Às vezes põe-se a lua tão exulta.
Prateando nossas vistas em cor difusa.
Às vezes penetrando nossas vidraças de janela.
Inundando adentro sua fria luz intrusa.
Noutras podemos desfrutar perfumes raros
Aqueles que só à noite pelo vento são levados
Que embriagam os sentidos mais dispersos
Pois só Damas da Noite podem à noite exalá-los.
Tudo isso tem neste contexto seu encanto
Mas não pode em contento meu olhar ao seu furtar
Pois terá o seu ornamento reduzido tanto
Se não puder de tais momentos a ti compartilhar.
________________________________________________________
Poema publicado em Antologias dos Poetas Brasileiros Comtemporâneos, em março de 2011.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Quid est Veritas

Quid est Veritas
(Argentino Vidal)
Encontrei certa pessoa dita abençoada
Dialogamos um assunto mais divino
Só por não compartilhar do seu sagrado credo
Fiquei com minha salvação comprometida
Para atiçar ainda mais a sua ira
Falei de Buda, Alan Kardec, Maomé
Disse até que há muito não sabia o que era fé.
Pra com sarcasmo despejar a minha birra.
Disse ela que eu estava possuído
Precisando urgentemente de uma benção.
Provavelmente já nem tinha mais perdão
Pra alcançar o seu sublime céu santificado.
Julgando serem os donos da razão e da verdade
Ela e outros com seus inquestionáveis credos
Acham que somente eles são os escolhidos
Abocanhando de uma só vez, a soberba e a vaidade.
Matamos por nossa ideologia, nossa verdadeira crença
Condenamos todos pela mínima discrepância
Desconsideramos sempre nossa medíocre ignorância
Só por considerar inquebrantável nossa estúpida certeza.
Somos todos, razão da mesma divindade.
Cumprimos todos aqui a mesma santa trajetória.
Seja branco, negro, índio, religioso ou ateu.
Vivemos desesperadamente procurando a salvação
Preocupamos demais em buscar no além o nosso céu.
E descuidamos de fazê-lo aqui tão perto.
Com sorriso e um abraço a um amigo mais carente.
Estendendo a mão a um irmão necessitado
Sem as nossas diárias agressões sem fundamento.
Amando nosso irmão como nos amamos.
Vivendo como crianças, que se preocupam apenas em brincar com a vida.
Mesmo assim foi dito que é delas o Reino dos Céus.
Lembremo-nos disso. Talvez esta seja nossa tão sonhada salvação.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Quisera

Quisera
(Argentino Vidal)
Quisera meus desejos fossem postos
Num relicário de poderes mágicos
Pudesse ele realizar meus sonhos
Tornassem todos eles verdadeiros
Quisera eu hoje ser um feiticeiro mago
Daqueles com poderes de condão
Traria todas as estrelas do universo
Só pra iluminar seu coração
Quisera que eu fosse afável bálsamo
Tirado de um cerne milagroso
Pudesse eu ser num só encanto
Suave ungüento pro seu pranto
Quisera que eu fosse um hábil ladro
Roubava sem pudor todos os seus sonhos
Colocaria todos no meu relicário mágico
Só pra se tornarem também verdadeiros.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Dança das Luzes dos Olhares

Dança das Luzes dos Olhares
(Argentino Vidal)
Brilham as luzes dos olhos
Entreolhares, seus sonhos
Umas chegam ternas, fazem-nos sonhar
Outras companheiras compartilhadas
Longos períodos, lumens intrínsecos.
Abrigam-nos, iluminam nossas almas
Brilham meus olhos
Com qual tempo durará
Brilham no que terá e no que passou.
Brilham neste que também passará incólume
Brilham naqueles benditos e divinos.
Ficando eternizados lá.
Dançam o brilho dos olhos
Os dos meus com tantos outros
Serão acasos encontrados, retornados?
Ou reencontrados de vidas dantes.
De almas dos lumens neles refletidos?
Ou apenas coincidências casuais.
Nesta louca dança das luzes dos olhos
Algumas chegam com tamanha intensidade
Que nos ofuscam, cegam nossos próprios olhos.
Não nos deixam ver as inverdades nelas contidas
Outros olhos têm brilho de menor intensidade
Porém são lumens bem mais verdadeiros
Que cegamente nem percebemos.
Entreolhares, seus sonhos
Umas chegam ternas, fazem-nos sonhar
Outras companheiras compartilhadas
Longos períodos, lumens intrínsecos.
Abrigam-nos, iluminam nossas almas
Brilham meus olhos
Com qual tempo durará
Brilham no que terá e no que passou.
Brilham neste que também passará incólume
Brilham naqueles benditos e divinos.
Ficando eternizados lá.
Dançam o brilho dos olhos
Os dos meus com tantos outros
Serão acasos encontrados, retornados?
Ou reencontrados de vidas dantes.
De almas dos lumens neles refletidos?
Ou apenas coincidências casuais.
Nesta louca dança das luzes dos olhos
Algumas chegam com tamanha intensidade
Que nos ofuscam, cegam nossos próprios olhos.
Não nos deixam ver as inverdades nelas contidas
Outros olhos têm brilho de menor intensidade
Porém são lumens bem mais verdadeiros
Que cegamente nem percebemos.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Lembranças

Lembranças
(Argentino Vidal)
Vagos doces pensamentos
Sucumbem meus tormentos
Sob ventos que um dia
Sopravam em seu rosto
Excitante você sorria
Fazendo mostrar o gosto.
De estarmos sempre juntos
Mas como esse mesmo vento
Que me trouxe por um momento
A lembrança de ti
Esse mesmo vento
Entristeceu meu pensamento
Fazendo-me chorar por ti
Vou seguindo no meu passo
Velejando pelo sonho
Vou remando pelo vento
Carregando no meu sonho
Nossos lindos momentos.
Vivo além da esperança
Procurando na lembrança
Por você, só por você.
(Argentino Vidal)
Vagos doces pensamentos
Sucumbem meus tormentos
Sob ventos que um dia
Sopravam em seu rosto
Excitante você sorria
Fazendo mostrar o gosto.
De estarmos sempre juntos
Mas como esse mesmo vento
Que me trouxe por um momento
A lembrança de ti
Esse mesmo vento
Entristeceu meu pensamento
Fazendo-me chorar por ti
Vou seguindo no meu passo
Velejando pelo sonho
Vou remando pelo vento
Carregando no meu sonho
Nossos lindos momentos.
Vivo além da esperança
Procurando na lembrança
Por você, só por você.
Natureza

Natureza
(Argentino Vidal)
Ao olhar a primavera tão florida
Nesta sonorada praia colorida
Senti tão perto, à natureza pura.
Tua ingênua e cordial doçura
Como flautins ao tempo soprados
Embalavam os ventos sonorados.
Melodiosas doces multinotas aqui ali
Abençoada foi a hora que eu te percebi.
Neste cenário de harmonia perfeita
Completa aquarela multicolorida
Variados pássaros de formatos raros
Realçavam seus encantos com seus cantos
Então aos pássaros entreguei meu pranto
E numa orquestral sinfonia também meu canto
Despedindo para sempre da tristeza
Alegrando-me com você e a natureza.
(Argentino Vidal)
Ao olhar a primavera tão florida
Nesta sonorada praia colorida
Senti tão perto, à natureza pura.
Tua ingênua e cordial doçura
Como flautins ao tempo soprados
Embalavam os ventos sonorados.
Melodiosas doces multinotas aqui ali
Abençoada foi a hora que eu te percebi.
Neste cenário de harmonia perfeita
Completa aquarela multicolorida
Variados pássaros de formatos raros
Realçavam seus encantos com seus cantos
Então aos pássaros entreguei meu pranto
E numa orquestral sinfonia também meu canto
Despedindo para sempre da tristeza
Alegrando-me com você e a natureza.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Minha Menina da Janela

Minha Menina da Janela
(Argentino Vidal)
Ainda era um menino
Olhava você em sua janela
Às vezes recostada na vidraça
Mostrava seu sorriso lindo
Seus cabelos negros encaracolados
Que eu admirava tanto
O tempo foi passando
Crescendo juntos, adolescemos.
Nossos olhares eram mais constantes
Nossas janelas mais cúmplices
Nossos sorrisos mais trocados
Tornamo-nos enamorados.
E num romance às avessas
Você passou por mim e disse:
Quer namorar comigo?
Fiquei surpreso pela ousadia da menina linda.
Meu coração explodiu, perdi a fala.
Fitei seus olhos claros
Segurei sua mão suavemente.
Nossos corpos recostaram-se.
Senti seu coração acelerado ritmado ao meu.
Toquei seus lábios aos meus.
Nossa paixão se revelou.
Mas o destino foi carrasco.
Primeiro nos proibiu.
Pouco adiantou.
Nossos encontros foram secretados
Amamos tanto, sonhamos tanto
Depois mentiras faladas sem sentido
Como você acreditou? Amava só você.
Afastamos tanto, sofremos tanto.
Sua paixão acabou.
A minha?
Apenas hibernou.
(Argentino Vidal)
Ainda era um menino
Olhava você em sua janela
Às vezes recostada na vidraça
Mostrava seu sorriso lindo
Seus cabelos negros encaracolados
Que eu admirava tanto
O tempo foi passando
Crescendo juntos, adolescemos.
Nossos olhares eram mais constantes
Nossas janelas mais cúmplices
Nossos sorrisos mais trocados
Tornamo-nos enamorados.
E num romance às avessas
Você passou por mim e disse:
Quer namorar comigo?
Fiquei surpreso pela ousadia da menina linda.
Meu coração explodiu, perdi a fala.
Fitei seus olhos claros
Segurei sua mão suavemente.
Nossos corpos recostaram-se.
Senti seu coração acelerado ritmado ao meu.
Toquei seus lábios aos meus.
Nossa paixão se revelou.
Mas o destino foi carrasco.
Primeiro nos proibiu.
Pouco adiantou.
Nossos encontros foram secretados
Amamos tanto, sonhamos tanto
Depois mentiras faladas sem sentido
Como você acreditou? Amava só você.
Afastamos tanto, sofremos tanto.
Sua paixão acabou.
A minha?
Apenas hibernou.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Meu Querer
Meu Querer
(Argentino Vidal)
Queria eu hoje coisas bem modestas
Acordar e te dizer bom dia
Deslizar as mãos sobre seu corpo, displicente.
Sentir em ti o resto de lavanda reticente
Despertar-te para ver o sol que brilha na janela
Queria hoje tomar contigo um café com leite
Daqueles com bastante nata suculenta.
Crocante pão de queijo e broa de fubá de milho
Sentar nas almofadas à boca da lareira quente
Escutar os estalidos desconexos do braseiro
Queria escutar uma música romântica
Carregar-te no compasso da sua canção
Apertar-te junto ao meu corpo mais ousado
Cochichar no seu ouvido frases de ternura
Embriagar nos devaneios do momento.
Queria sentar à noite na varanda
Sentir a lua nos inundar com sua fria luz
Prateando seu corpo, adornando seus cabelos
Eu queria, como eu queria.
Mas você esta distante. Inatingível.
(Argentino Vidal)
Queria eu hoje coisas bem modestas
Acordar e te dizer bom dia
Deslizar as mãos sobre seu corpo, displicente.
Sentir em ti o resto de lavanda reticente
Despertar-te para ver o sol que brilha na janela
Queria hoje tomar contigo um café com leite
Daqueles com bastante nata suculenta.
Crocante pão de queijo e broa de fubá de milho
Sentar nas almofadas à boca da lareira quente
Escutar os estalidos desconexos do braseiro
Queria escutar uma música romântica
Carregar-te no compasso da sua canção
Apertar-te junto ao meu corpo mais ousado
Cochichar no seu ouvido frases de ternura
Embriagar nos devaneios do momento.
Queria sentar à noite na varanda
Sentir a lua nos inundar com sua fria luz
Prateando seu corpo, adornando seus cabelos
Eu queria, como eu queria.
Mas você esta distante. Inatingível.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Divinamente Eterno

Divinamente Eterno
(Argentino Vidal)
Vi no brilho de seus olhos nossa paixão
Senti queimar no coração o fogo indolor da emoção
Busquei neste regalo de nossas fantasias
Um cardápio de impetuosas iguarias.
O tempo preparou seu ritmo contesto.
Que nosso compasso por ardil pressuposto
De que à ilusão seria dominado, paralisado.
Tentamos saborear impaciente tal momento.
Para este tempo revelaram nossos corpos.
Primeiros momentos, primeiros dedicados atos.
Que marcaram para sempre um sublime amor
Que ele seja então divinamente eterno enquanto terno.
(Argentino Vidal)
Vi no brilho de seus olhos nossa paixão
Senti queimar no coração o fogo indolor da emoção
Busquei neste regalo de nossas fantasias
Um cardápio de impetuosas iguarias.
O tempo preparou seu ritmo contesto.
Que nosso compasso por ardil pressuposto
De que à ilusão seria dominado, paralisado.
Tentamos saborear impaciente tal momento.
Para este tempo revelaram nossos corpos.
Primeiros momentos, primeiros dedicados atos.
Que marcaram para sempre um sublime amor
Que ele seja então divinamente eterno enquanto terno.
domingo, 25 de julho de 2010
Horizonte

Horizonte
(Argentino Vidal)
Lá bem além do horizonte
Sobre imenso e alvo monte
Mora em doce canção.
Cascatas de ilusão
.
Existem extensas relvas
Com botões de lindas rosas
Onde os orvalhos descansam
Nos ventos que ali balançam
Num rio escumas vão indo
E pelo seu leito sumindo
Sua margem me mostra vidas
Com ramagens coloridas
Aí num sonho quase eterno
Repousando em silencio terno
Só penso na minha amada.
(Argentino Vidal)
Lá bem além do horizonte
Sobre imenso e alvo monte
Mora em doce canção.
Cascatas de ilusão
.
Existem extensas relvas
Com botões de lindas rosas
Onde os orvalhos descansam
Nos ventos que ali balançam
Num rio escumas vão indo
E pelo seu leito sumindo
Sua margem me mostra vidas
Com ramagens coloridas
Aí num sonho quase eterno
Repousando em silencio terno
Só penso na minha amada.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Sonhos do Poeta

Sonhos do Poeta
(Argentino Vidal)
Tolos foram os sonhos do poeta
Pois falso foi o seu encanto
Enganou-se incauto ser profeta
Sobrou-lhe somente desencanto.
Supôs que a mansa brisa fria
Pudesse carregar seus versos
Embalados em odes de alegria
Entregá-los a almejos tão sonhados.
Mas foram apenas ditas vãs.
Quimeras de um sonho nem vivido.
De um poeta e sua musa Vênus.
Tornados apenas versos sem sentido
(Argentino Vidal)
Tolos foram os sonhos do poeta
Pois falso foi o seu encanto
Enganou-se incauto ser profeta
Sobrou-lhe somente desencanto.
Supôs que a mansa brisa fria
Pudesse carregar seus versos
Embalados em odes de alegria
Entregá-los a almejos tão sonhados.
Mas foram apenas ditas vãs.
Quimeras de um sonho nem vivido.
De um poeta e sua musa Vênus.
Tornados apenas versos sem sentido
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Manhã de Outono

Manhã de Outono
(Argentino Vidal)
Ainda estão as buganvílias tão floridas
Exibem os Miosótis, azaléias e os manacás
Seus perfumes e suas cores deslumbrantes
Saudando orvalhada manhã de outono.
Neste mix matutino de mato verde
Uma névoa pinta em branco o horizonte
Cobrindo os cumes salientes das montanhas
De uma gelada manhã de outono.
O céu estava azul límpido e intenso
Onde o sol brilhava sem calor em eldorado.
Nos arvoredos, canários, trinca-ferros, bem te vis.
Sonoravam aquela fria manhã de outono.
Um cheiro forte de café invade o ar
Podia até senti-lo quente a fumegar
Aquecendo minha alma e meu corpo congelado
Naquela linda e clara manhã de outono.
Às vezes o tempo expõe sua magia
E numa simples manhã de outono fria
Com seu exuberante universo multi-matiz
Mostrou-me como é simples e fácil ser feliz
Este poema foi publicado em "Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos"Vol.67. pela CBJE.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Sua Ilusão

Sua Ilusão
(Argentino Vidal)
Não vejo mais motivos pra esse seu jeito
Complicado de gostar
Se um dia você chega e desalinha meus sentidos
No outro você encontra meios pra me magoar
Não quero mais motivos pra me enganar
Prefiro reviver somente nossos bons momentos
Aqueles que eu guardei como inesquecíveis
Que por poucos dias me fizeram mais feliz
Não vejo mais motivos pra viver
Somente o meu sonhar
Se eu amanheço com um lindo sonho magistral
E anoiteço um pesadelo de um sonho irreal.
Chega, procure seu caminho no destino já traçado
Encontre sua paz na ilusão de suas glórias
Se seu fetiche incompreensível te faz bem assim
(Argentino Vidal)
Não vejo mais motivos pra esse seu jeito
Complicado de gostar
Se um dia você chega e desalinha meus sentidos
No outro você encontra meios pra me magoar
Não quero mais motivos pra me enganar
Prefiro reviver somente nossos bons momentos
Aqueles que eu guardei como inesquecíveis
Que por poucos dias me fizeram mais feliz
Não vejo mais motivos pra viver
Somente o meu sonhar
Se eu amanheço com um lindo sonho magistral
E anoiteço um pesadelo de um sonho irreal.
Chega, procure seu caminho no destino já traçado
Encontre sua paz na ilusão de suas glórias
Se seu fetiche incompreensível te faz bem assim
Este poema foi publicado em "As mais belas poesias de amor", pela CBJE em maio de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
Minha Terra Mineira

Minha terra mineira
(Argentino Vidal)
Eu nasci na terra do ouro
Das esmeraldas e diamantes
Do minério vermelho do ferro
De tantas minas contidas
De tantas Minas Gerais
Eu nasci de gente guerreira
De ideais inconfidentes
Sonhadores libertários
Da conquista do ventre da terra
Do nosso solo mineiro
Eu nasci da cultura barroca
De cidades de muitas histórias
Com seus artesões e poemas
Do Congado e Folia de Reis
E das Festas do Divino.
Eu nasci do fogão à lenha
Do tropeiro e da pururuca
Das fazendas de carros de bois
Do puro café e leite
Das goiabadas com queijo
Eu nasci nas terras de Minas
Das montanhas soberanas
Das cachoeiras cristalinas
De gente hospitaleira.
De gente cosmopolita
De sotaque bem roceiro
Com seus trens e muitos uais.
Bão demais da conta sô...
(Argentino Vidal)
Eu nasci na terra do ouro
Das esmeraldas e diamantes
Do minério vermelho do ferro
De tantas minas contidas
De tantas Minas Gerais
Eu nasci de gente guerreira
De ideais inconfidentes
Sonhadores libertários
Da conquista do ventre da terra
Do nosso solo mineiro
Eu nasci da cultura barroca
De cidades de muitas histórias
Com seus artesões e poemas
Do Congado e Folia de Reis
E das Festas do Divino.
Eu nasci do fogão à lenha
Do tropeiro e da pururuca
Das fazendas de carros de bois
Do puro café e leite
Das goiabadas com queijo
Eu nasci nas terras de Minas
Das montanhas soberanas
Das cachoeiras cristalinas
De gente hospitaleira.
De gente cosmopolita
De sotaque bem roceiro
Com seus trens e muitos uais.
Bão demais da conta sô...
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Cotidiano

Cotidiano
(Argentino Vidal)
Levanta já atrasado
Pra mais um dia da lida
Ajeita o esqueleto no corpo
De uma noite mal dormida
Calça a butina surrada
Enfia a roupa amassada
Toma o café requentado
E ainda mal comido
Sai do barraco apressado
E ainda são seis da matina
Lotada a estação te espera
Pendura no estribo do trem
E ainda rola um cochilo
De um lado pesa a marmita
De uma parca comida
Do outro guarda no bolso
O troco medido da volta
Mas logo o apito e a parada
Desperta teu sono pra vida
Vai trabalhar homem......
Espera-te ansioso o patrão
Que logo vem com o sermão
Ta atrasado de novo?
Já cheio o carrinho de brita
Espera-te à mistura pesada
No concreto de areia e cimento
Para cumprir a corrida diária
De uma rotina sem fim.
A tarde chega enfim
De volta pra cheia estação
Pendura de novo no estribo
Com as mãos calejadas doidas.
Rola de novo um cochilo.
De um lado a marmita vazia
Sobrou dela somente uma azia
Por ter comido ela fria
Do outro no bolso o troco pra pinga
Já noite tonto, chega ao barraco
Pendura a roupa fedida
Tira a butina apertada
Ajeita o esqueleto na cama
Pro outro dia de novo
Tudo recomeçar.
Eta vida danada, dorme ele.
Levanta já atrasado
Pra mais um dia da lida
Ajeita o esqueleto no corpo
De uma noite mal dormida
Calça a butina surrada
Enfia a roupa amassada
Toma o café requentado
E ainda mal comido
Sai do barraco apressado
E ainda são seis da matina
Lotada a estação te espera
Pendura no estribo do trem
E ainda rola um cochilo
De um lado pesa a marmita
De uma parca comida
Do outro guarda no bolso
O troco medido da volta
Mas logo o apito e a parada
Desperta teu sono pra vida
Vai trabalhar homem......
Espera-te ansioso o patrão
Que logo vem com o sermão
Ta atrasado de novo?
Já cheio o carrinho de brita
Espera-te à mistura pesada
No concreto de areia e cimento
Para cumprir a corrida diária
De uma rotina sem fim.
A tarde chega enfim
De volta pra cheia estação
Pendura de novo no estribo
Com as mãos calejadas doidas.
Rola de novo um cochilo.
De um lado a marmita vazia
Sobrou dela somente uma azia
Por ter comido ela fria
Do outro no bolso o troco pra pinga
Já noite tonto, chega ao barraco
Pendura a roupa fedida
Tira a butina apertada
Ajeita o esqueleto na cama
Pro outro dia de novo
Tudo recomeçar.
Eta vida danada, dorme ele.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Nosso Jantar à Luz de Velas

Nosso Jantar à Luz de Velas
(Argentino Vidal)
Preparei aquela noite especial
A meia luz na sala em luz de velas
Um bom vinho resfriava ali na mesa
Junto com talheres dispostos à etiqueta
No centro dois botões de rosas destacavam
Um amarelo outro vermelho lado a lado.
Insinuando meu desejo e minha paixão
Pus no ar a meio tom uma música suave
Já propositadamente perfumado de essências florais
Aí chega você ainda mais linda do que sempre
Em sua boca brilhava um batom rubi
Seu vestido realçava sua linda silhueta
E o decote provocava ainda mais o meu frisson
Falamos vagas palavras sem importância
Mas nossas mãos e nossos olhares fitados
Podiam declarar mais que mil palavras
Suavemente ainda arriscamos um bolero à bandoneon
Pude então sentir ainda mais o seu perfume e seu calor
Neste instante o sabor de vinho da minha boca
Misturava ao gosto de batom de seus macios lábios
Pouco a pouco nossas roupas antes refinadas
Eram deixadas uma a uma ali no chão
Nossas mãos se enchiam de afeto e de ternura
Então nosso amor era magicamente declarado
Entre as almofadas do velho sofá da minha sala
Naquele nosso primeiro jantar à luz de velas.
Este poema foi publicado em "Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâreos" Vol.63 da Editora CBJE (RJ), no dia 20/02/2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Quantas Vezes

Quantas Vezes
(Argentino Vidal)
Quantas vezes tentei colocar
As cores do meu mundo
No apagado mundo seu
Quantas vezes tentei colocar
O encanto dos meus olhos
Nos dispersos olhos seus
Quantas vezes tentei subornar
A impaciência da minha alma
Com a paciente calma tua
Quanto tempo eu perdi
Porque será que eu me iludi.
As cores do meu mundo
No apagado mundo seu
Quantas vezes tentei colocar
O encanto dos meus olhos
Nos dispersos olhos seus
Quantas vezes tentei subornar
A impaciência da minha alma
Com a paciente calma tua
Quanto tempo eu perdi
Porque será que eu me iludi.
Crepúsculo em BH

Crepúsculo em BH
(Argentino Vidal)
Parei à tarde para ver o por do sol
Ver no horizonte sobre tons em tons vermelho
O azul marinho migrando ao tornassol
Penumbrando meu olhar maravilhado
Ao longe o contorno da cidade realçava
Contrastando os rochedos salientes
Reforçando divina força criadora
Num bucólico entardecer, Belo Horizonte.
Nesta hora o perfume manacá já exalava
Ecoava ao longe Ave Maria de Gûnot
Perfeita harmonia da matéria e alma
Sublime equilíbrio vespertino
Fiquei ali parado na magia do momento
Remontando em minha mente quadro a quadro
Pro meu painel de arte, meu crepúsculo.
(Argentino Vidal)
Parei à tarde para ver o por do sol
Ver no horizonte sobre tons em tons vermelho
O azul marinho migrando ao tornassol
Penumbrando meu olhar maravilhado
Ao longe o contorno da cidade realçava
Contrastando os rochedos salientes
Reforçando divina força criadora
Num bucólico entardecer, Belo Horizonte.
Nesta hora o perfume manacá já exalava
Ecoava ao longe Ave Maria de Gûnot
Perfeita harmonia da matéria e alma
Sublime equilíbrio vespertino
Fiquei ali parado na magia do momento
Remontando em minha mente quadro a quadro
Pro meu painel de arte, meu crepúsculo.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Amo-te

Amo-te
(Argentino Vidal)
Amanheci inspirado
Completamente apaixonado
Pensei dar-te uma dúzia de rosas
Vermelhas
Mas se são rosas por que vermelhas?
Acho que vou fazer-te um poema
Não sei se bem carinhoso
Poema que fale de amor
Não sei se mais sem pudor
Daqueles bem calientes.
Pra minha paixão demonstrar
Pensando bem, melhor será
Fazer um cesto bem venusiano
Colocar nele um belo poema lírico
Outro mais despudorado, safado.
Um belo arranjo de rosas carmim
Uma garrafa de vinho Sauvignon
Um bilhete bem perfumado
Depois dizer bem ao seu ouvido
Amo-te muito
Meu amor.
Amanheci inspirado
Completamente apaixonado
Pensei dar-te uma dúzia de rosas
Vermelhas
Mas se são rosas por que vermelhas?
Acho que vou fazer-te um poema
Não sei se bem carinhoso
Poema que fale de amor
Não sei se mais sem pudor
Daqueles bem calientes.
Pra minha paixão demonstrar
Pensando bem, melhor será
Fazer um cesto bem venusiano
Colocar nele um belo poema lírico
Outro mais despudorado, safado.
Um belo arranjo de rosas carmim
Uma garrafa de vinho Sauvignon
Um bilhete bem perfumado
Depois dizer bem ao seu ouvido
Amo-te muito
Meu amor.
Este poema foi publicado em "Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâreos" Vol.62 da Editora CBJE (RJ), no dia 23/01/2010, entre mais de 3000 inscritos
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Devaneios Meus

Devaneios Meus
(Argentino Vidal)
Venha comigo no meu sonho louco
Contracenar com a minha ilusão
Sentir no coração o calor do corpo
Queimar na alma a chama da paixão.
Venha curtir as minhas fantasias
Viver comigo os devaneios meus
Romper o medo nossas paranóias.
Incontrolar desejos tão contidos.
Quero sentir teu corpo teu perfume
Quero afogar no mar do teu prazer
Trocar murmúrios falar confidências.
Ultrapassar o limite do meu ser.
Quero sentir teu corpo junto ao meu
Quero afogar nos doces beijos teus.
Falar contigo coisas irreais.
Quero sentir meu corpo junto ao teu
Embriagar nos loucos sonhos meus
Ouvir de ti palavras irreais.
(Argentino Vidal)
Venha comigo no meu sonho louco
Contracenar com a minha ilusão
Sentir no coração o calor do corpo
Queimar na alma a chama da paixão.
Venha curtir as minhas fantasias
Viver comigo os devaneios meus
Romper o medo nossas paranóias.
Incontrolar desejos tão contidos.
Quero sentir teu corpo teu perfume
Quero afogar no mar do teu prazer
Trocar murmúrios falar confidências.
Ultrapassar o limite do meu ser.
Quero sentir teu corpo junto ao meu
Quero afogar nos doces beijos teus.
Falar contigo coisas irreais.
Quero sentir meu corpo junto ao teu
Embriagar nos loucos sonhos meus
Ouvir de ti palavras irreais.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Andança
(Argentino Vidal)
Andando pelas ruas da cidade
Vi crianças entorpecendo seus destinos
Enquanto eu revelava o meu medo incoerente
Elas revelavam nosso abandono desumano
Os vi dormindo pelas frias noites nas calçadas
Ou nas escadarias das catedrais santificadas
Pois onde antes seus pomposos adros davam abrigos
Hoje se tornaram locais sagrados gradeados.
Lá o amor de Cristo tão pregado não é pra todos.
Preferem não olhar pra estes esquecidos
Lá onde os reis da terra serão eternos
Só por cuspirem palavras ritmadas tão divinas
Eu vi meninas vendendo sua essência
Na luta mercenária da sobrevivência
Pois enquanto muitos vivem aqui o paraíso
Outros comem seus restos apodrecidos
Eu vi mendigos implorando compaixão
Empunhando seu pedido por um pão
Pois enquanto uns temperam seu salmão
Outros vivem apenas do que caiu do chão
Eu vi mendigos arrastando seu quinhão
Empilhando restos velhos descartáveis.
Enquanto temos nossas vidas confortáveis
Pra eles ela pregou um papelão.
Por que não podemos dividir um pouco mais?
Por que será que somos assim tão egoístas?
Precisamos urgentemente irmanar um pouco mais?
Em vez de só cuspirmos palavras ritmadas tão divinas
Antes que seja tarde, tarde demais.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Negro e Branco
(Argentino Vidal)
Pus na terra vários seres
Cada qual com seu encanto
Muitos com muitas cores
Outros, porém nem tanto.
Variados minerais
Verdes, vermelhos, azuis, amarelos.
Multicoloridos, brancos e pretos.
Outros translúcidos cristalinos.
Pus nas aves penugens multicores.
Com lindos cantos variados
Umas magistralmente flutuam nos ares
Outras desfilam na terra e alagados.
Nas frutas eu caprichei.
Fiz com todas as cores que tinha.
Acho até que exagerei.
No principal alimento da vida.
E as flores e plantas então.
Essas são minha obra prima
Contemplam minha emoção
Nos perfumes, cor e forma.
Meus bichos reclamar não podem.
Pois eles, lindamente pintei.
E pra este jardim do éden.
Suas formas eu mesclei
Todo esse colorido mundo então.
Juntos estão em harmonia perfeita.
Cada um com sua função.
No grande projeto da vida.
Fiz o ser maior de meus sonhos
Nele não me importei com as cores
Pois maior que formatos externos
Deixei a luz de seus poderes.
Já com minha aquarela sem tinta.
Misturei o meu resto de cores
Fazendo daquilo que tinha
Duas lindas tonalidades.
Externos são claros e negros
Pro cerne compus outras cores
Para que juntas de dourados
Colorissem a almas dos seres.
Porém no fundamento do mundo que fiz.
Não entenderam as maravilhas que usei.
Pois só se preocuparam neste matiz.
Nos da pele de claro e negro que pintei.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Cachaça e Poesia
Cachaça e Poesia
(Argentino Vidal)
Gotas doces do bagaço destilada
No fulgor do cobre é aromada
Purificado o sabor canavial
Nasce aguardente sem igual
No carvalho com o tempo toma cor
Realçando ainda mais o seu sabor
Seu buquê açucarado inconfundível
Torna-se um drinque irresistível
É bebida aguardente magistral
Genuinamente de origem nacional
Pode ser na caipirinha brasileira
Ou tomada naturalmente à mineira
Misturei assim na minha alquimia
Cachaça e Poesia
Este poema tem duas versões. Veja a outra no link "Cachaça Poesia"
Aqueles Momentos
Aqueles Momentos
(Argentino Vidal)
Não disse ao seu ouvido palavras de amor
Apenas despertei em ti momentos de volúpia
Senti na sua boca o licor da ansiedade
Tão presente naqueles tempos de nossa mocidade
Nossos copos de cerveja lado a lado ali na mesa
Aguardavam pacientemente próximo gole
Enquanto nossos corpos recostados olho a olho
Mixava o silêncio prazeroso do momento
Ao ruído efervescente noturno da cidade
Vi despertar em ti o gozo do prazer
Senti o coração bater na tua e na minha boca
Senti efervescer na alma algo inexplicável
Algo tão tangível realizável
Basta querer e ser querido
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Imensidão do Mar
Imensidão do Mar
(Argentino Vidal)
Sobre o mar altivo ao vento.
Deixei naufragar meu pensamento
Do meu mundo cruel, incompreendido.
No sabor das ondas dissolvido
Caminhei no curto tempo da esperança
Guardei de te o sonho da lembrança
Entre espadas de fogo que queimava
Causado pelo efeito que de ti me separava
Senti aos poucos tudo terminado
Tentei guardar este momento, congelado.
Vigiei teu sono, pouco adiantou.
Pois cedo, meu pranto te acordou
E agora ao ver a imensidão do mar
Perdido no vazio triste de minha alma
Suspiro esta angústia que nos fez parar.
Este poema foi classificado na publicação "Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâreos" Vol.58 da Editora CBJE (RJ), no dia 25/09/2009, entre mais de 5000 inscritos.
Calvário
Calvário
(Argentino Vidal)
Elevou-se ao ar ensangüentado
Crucificado no alto do calvário
Sob ardente sol aos poucos sufocado
No manto negro mortuário.
Gemidos soprados de vento forte
Quebravam prantos de amor perjuro
Que viam além da dor da morte
Imensa força de amor tão puro
Naquele cerne cedro cruzado
Em sacrifício cruel sem piedade
Um homem não mortal crucificado
Para redimir pra sempre a humanidade
E aos poucos horas do dia se passara
Mórbidos. Inocente vitimado
Deixado à morte que vencera
Estava tudo nesta hora consumado.
Este poema foi publicado em Poemas Dedicados da Editora CBJE (RJ),no dia 25/09/2009, dentre mais de 5000 inscritos.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Primeiro Ato
Primeiro Ato
(ArgentinoVidal)
Sinto na brisa do ar teu perfume doce.
Minha emoção de te ver já não se resume
O brilho de teus olhos me fascina.
O brilho de seus olhos me domina.
Nesta mistura que sinto de ternura e de desejo.
Não consigo medir qual mais almejo.
Perco-me em palavras previamente versadas.
Tropeço minhas pernas embriagadas.
Neste turbilhão que meus sentidos fluem.
Permito que teus passos me provoquem.
Enquanto vejo no teu rosto serenidade e calma.
Transpiro no meu corpo a agitação da alma.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
As Minhas Travessuras de Menino
Travessuras de Menino na Maria Fumaça
(Argentino Vidal)
De longe soa o apito
Da velha Maria Fumaça
Corre o moleque travesso
Lá pro fundo do seu quintal
Por onde ela vai passar
Ela passa de mansinho
Quase querendo parar
Ai o moleque travesso
Como gato agarra o estribo
Do último vagão a passar
De carona ao balaustre
Ergue seu corpo afora braço aberto
Gangorra de um lado pro outro
Para sentir bater o vento forte
Que sopra no rosto e arrefece a alma
E pra perigosamente deliciar
O néctar da sua travessura.
Nota- O trem é este mesmo da foto - hoje ele esta circulação somente entre Tiradentes e São João Del Rey. Mas antes passava no quintal da minha casa, 40 anos atrás, em Barbacena-MG.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Orvalho
Orvalho
(Argentino Vidal)
Junto ao meu caminhar molhado
Aquecendo meu corpo gelado
Trilhando sobre pedras salientes
Polidas pela ação do tempo
Na madrugada que repousa o vento
Sinto você do meu lado
E ao fim desta madrugada fria
Que me faz sentir um novo dia
Sepultando as doces gotas de orvalho
E no calor solar suave e brando
Surgem novos brados de bandos
De pessoas que caminham
Contemplada, partiu a madrugada.
Cheia de saudades que me agrada
Só por vigiar meu sossego
E ansioso espera-la próxima vinda
Chorando gotas de orvalho ainda
Pra novamente sentir você ao meu lado
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Olhai o Direito de Viver de Todos
Olhai o Direito de Viver de Todos
(Argentino Vidal)
Olhando o mundo sem nenhum apelo
Marcham exércitos desumanos
Seguindo o culto ao deus do século
Séqüitos instrumentos insanos
Bandos comandados a radar
Vão criando angústia com mãos de pedra
Suando gotas de sangue ferventes
Estilhaçando vidas almas pela metra
Restando somente aos inocentes
Morte, dores, eternas cicatrizes.
E na renúncia cega da vida alheia
Procuram levar seu mastro desfraldado
Fazendo suas armas de bateia
No garimpo do poder desmedido
Usam até núcleos radiativos.
E aos ombros dos grandes poderosos
Pesam sempre lucros econômicos
Comandando o mundo impiedosos.
Sem arrependimentos nem remorsos.
Pelas miseráveis vidas decepadas.
Lamentos se as trevas ouvissem
Talvez repugnassem e alegrariam
Pois se esta infernal vida sofressem.
Talvez comparada às trevas sentiriam.
Felizes por estarem em fornos pecadores.
Olhai o direito de viver de todos
Salvai desta contaminação que assola a terra.
Dos lucros com sangue inocente dotados
Trocando a violência ridícula da guerra.
Pelo amor, a paz que todos desejamos.
Este poema foi publicado em "Antologia dos Poetas Brasileiros" Vol. 57 em 26/08/2009
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